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O que aprendi na Floresta Tropical
Tachi Kiuchi - Tradução Maria do Carmo Zinato*
Quando visitei a floresta tropical da Malásia, aprendi o que muitos já sabem: salvar a floresta tropical é uma oportunidade de negócios. Criatividade e tecnologia podem ser usados para substituir a extração de árvores e recursos.
Mas havia uma lição mais profunda para mim. É do interesse das empresas, não meramente salvar a floresta tropical, mas competir com ela. Operar como um sistema vivo é talvez o desafio mais importante e lucrativo que enfrentam as empresas hoje.
Como pessoa de negócio, temos observado a floresta tropical da maneira errada. Seu real valor não está nas árvores ou propriedades farmacêuticas. Está no "design" e nas relações. As florestas tropicais são incrivelmente produtivas, muito mais do que qualquer empresa do mundo. Mesmo com um solo bem raso e poucos nutrientes, as florestas tropicais são o lar de mais de dois-terços da biodiversidade do mundo. Elas mantêm uma estabilidade dinâmica enquanto continuamente evoluem para uma complexidade sempre maior. Qual companhia não estaria ansiosa de aprender com esse "design" ? Quando tiramos árvores da floresta, podemos destruir seu "design". Mas quando tiramos lições dela, nós cumprimos o seu propósito. Imagine quão criativo, produtivo e ecologicamente benigno o comércio poderia ser se as companhias entendesse as razões por trás do duradouro sucesso do ecossistema tropical.
Em comparação com a floresta tropical, sistemas de "feedback" (retroalimentação) em negócios não estão bem desenvolvidos. Na Mitsubishi Electric, queremos saber os custos e benefícios completos de todo produto, e quais as necessidades sociais e ambientais que podemos ajudar a satisfazer. Nossa prioridade é criar o melhor sistema de "feedback" corporativo do mundo.
Receber "Feedback" - Nossos sistemas de "feedback" ajudaram-nos a baixar os custos, cortanto materiais e não pessoal. Estamos entre os melhores no mundo em minimizar o uso de matéria- brutos em nossos produtos, tornando-nos um líder no mercado de eletrônicos compactos. "Feedback" tem também sido crucial para identificar novos mercados e investimentos lucrativos. Torna-nos conscientes dos custos que outras pessoas têm de pagar; objetivamos verdadeiramente conseguir nosso lucro reduzindo esses custos.
Diferenciação - Numa floresta tropical, acomodação é morte. Se dois organismos têm o mesmo nicho, apenas um sobrevive. O outro, ou se adapta, ou morre. É o mesmo na economia atual. A maioria das companhias hoje está tentando, desesperadamente, ser aquela que sobrevive, buscando o custo mais baixo. Nós pensamos que é mais inteligente adaptar-se: criar produtos únicos, preencher novos nichos, diferenciar. Aprendemos isso da maneira mais difícil, quando não podíamos diferenciar suficientemente nosso televisor padrão daqueles dos competidores e tivemos que interromper a produção. Agora, no lugar de matar ou ser morto por competidores, nós nos desviamos deles fazendo nossos produtos distintos, primeiro. Só então é hora de reduzir os custos.
Cooperação - Muitas pessoas pensam que competitividade é a chave do sucesso nos negócios, mas essa estratégia está desatualizada. No passado, na economia não diferenciada, todos nós fazíamos os mesmo produtos para os mesmos mercados. Não havia escolha a não ser competir. Hoje, Mitsubishi Electric cada vez mais encontra lucro em "joint ventures" cooperativos. Cada companhia mantém sua independência, especialidade e competência singular. Como as espécies da floresta tropical, juntas nós nos beneficiamos de nossa diversidade.
Um exemplo é a criação de um renovador de ar que tanto permite minimizar custos de energia quanto ajuda a prevenir a síndrome dos "edifícios doentes". Um programa cooperativo de comunicações "feedback" alertou-nos para essa oportunidade. O vendedor local, próximo do consumidor, sabia o potencial de mercado; tínhamos a tecnologia para satisfazer a necessidade. Essa abordagem conjunta de mercado e parcerias cooperativas são agora tão vitais para nosso futuros quanto nosso produto.
Encaixar bem - Antes acreditávamos que a sobrevivência ao enxugamento permitia apenas um vencendor. Na floresta tropical, há vários vencedores, e o mesmo pode ser verdade em nossa economia. A questão não é quem é mais enxuto, mas onde nos encaixamos melhor. Se solvemos um problema real, satisfazemos uma necessidade - então nós encaixaremos, sobreviveremos e venceremos.
Na Mitsubishi Electric, não apenas tocamos nosso negócio para fazer lucro. Nós fazemos lucros por tocar nosso negócio. Nosso negócio tem significado e propósito, uma razão de ser.
Isso sugere a lição final que aprendi (até agora) com a floresta tropical: a missão mais nobre dos negócios é ajudar o completo desenvolvimento do ecossistema humano, sustentabilidade como na floresta tropical, em toda sua diversidade e complexidade. O que aprendi com a floresta tropical é fácil de entender. Podemos usar menos, e ter mais.
Consumir menos e ser mais. Esse é o único modo. Porque os interesses dos negócios e os interesses do meio ambiente não são incompatíveis. Eles são os omote e ura japoneses, o yin e yang chineses, produto e processo, economia e ecologia, mente e espírito - duas metades.
Somente juntos poderemos fazer um mundo como um todo.
Tachi Kiuchi é CEO da Mitsubishi Electric USA.
Texto extraído do GEF - Global Environment Facility. Valuing The Global Environment - Actions & Investments for a 21st Century. GEF, 1998. página 52. www.gefweb.org
Tradução: Maria do Carmo Zinato, para a Rede CTA. Maria do Carmo Zinato é Arquiteta, Mestre em planej. urbano e rural - Technical University of Nova Scotia (Canadá). coord. do proj. Adote uma Bacia, pesq. do Florida Center for Environmental Studies
email: mariacz@ces.fau.edu.
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