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Questão Ambiental: Riscos e Oportunidades às Organizações

*Aurea Maria Brandi Nardelli    

    Os modelos de gestão têm evoluído rapidamente diante da questão ambiental. Integrar a competitividade com a proteção ambiental constitui-se hoje em uma das grandes metas das organizações, refletindo os novos valores da sociedade. Os maiores desafios estão não apenas nas áreas tecnológicas ou financeiras, mas principalmente no gerenciamento responsável dos recursos naturais, sejam estes fornecedores de bens e serviços ou receptores finais de resíduos.
    Desse modo, várias empresas e instituições, de diferentes setores, têm buscado ferramentas gerenciais com o objetivo de garantir a qualidade ambiental de seus produtos e serviços.
    Neste contexto, o conceito de Sistema de Gestão Ambiental - SGA, muitas vezes acompanhado por processos voluntários de certificação, vem sendo desenvolvido e aplicado, permitindo que as organizações compreendam as várias inter-relações de suas atividades com o meio ambiente e implementem seus programas ambientais.
    Na busca pela excelência ambiental, as organizações têm percorrido vários caminhos, entre eles: a melhoria da imagem institucional, a melhoria do desempenho ambiental e o aproveitamento das oportunidades de negócios. A maneira como as organizações planejam e implementam suas estratégias e táticas para percorrer estes caminhos pode significar grandes oportunidades ou mesmo riscos.
    A melhoria da imagem institucional, refere-se ao interesse das empresas em ter uma maneira eficaz para demonstrar a terceiros sua atuação responsável quanto ao meio ambiente. De um modo geral, está associada às ações da empresa na comunidade onde se insere, ao cumprimento dos requisitos legais e ao marketing.
    A busca de um objetivo ambiental reduzido somente à imagem da empresa, sem estar integrado a uma estratégia global, é ilusória, além de ser ineficiente e perigosa. Todos nós conhecemos muitas organizações que são caronas de boas causas, mas que mantêm os valores ambientais para fora dos seus portões. Felizmente, a sociedade está mais atenta às "fachadas verdes" e reclama, seja na voz das ONGs, dos órgãos de controle ambiental ou do consumidor.
    O bom gerenciamento ambiental, por outro lado, confere à organização a segurança de consolidar sua imagem perante à sociedade e constitui-se numa grande oportunidade para o reconhecimento público de sua gestão responsável.
    A melhoria do desempenho ambiental, para a maioria das organizações, significa economia de matérias-primas e energia, aproveitamento de subprodutos, otimização de processos e menores custos com o tratamento e disposição de resíduos.
    Para que isso aconteça, é necessário um planejamento adequado das ações e dos investimentos a serem realizados, que poderá ser obtido a partir de um bom gerenciamento ambiental. Muitas vezes, as organizações são mal orientadas, seguem modismos ou mesmo não identificam seus pontos de alavancagem, direcionando esforços para o sentido contrário ao seu melhor desempenho ambiental.
    Ao contrário do que muitos pensam, investir adequadamente num melhor desempenho ambiental pode constituir-se numa grande vantagem econômica. O ajuste da empresa a níveis mais altos de qualidade ambiental resulta, geralmente, no uso mais racional de matérias-primas e energia, reduzindo-se os custos de produção e o desperdício.
    O aproveitamento das oportunidades de negócios considera, entre outros aspectos: os novos mercados, onde os produtos associados a processos que respeitam o meio ambiente têm boa imagem e maior aceitação; as relações comerciais internacionais, nas quais o não atendimento a algumas exigências ambientais pode significar a perda de um cliente ou mesmo a impossibilidade de venda do produto em todo um bloco econômico; as maiores facilidades na obtenção de financiamentos ou subsídios junto às agências nacionais e internacionais de crédito, que têm incorporado a variável ambiental em suas estratégias e análises de risco técnico e financeiro.
    Nesse contexto, a situação de "perde-ganha" entre a empresa e o meio ambiente, que na maioria das vezes fez prevalecer o lado da produção (e que, na verdade, representa um perde-perde para todos), pode e deverá ser substituída pelo "ganha-ganha".
    Fundamentado em um compromisso de longo prazo e conduzido pela visão institucional, o SGA torna-se parte integrante do sistema gerencial de toda a empresa, representando assim, um importante caminho para a integração bem sucedida das questões ambientais e de sua estratégia de negócios.

Questão Ambiental: Riscos e Oportunidades às Organizações - texto utilizado durante o II Curso de Introdução ao Sistema de Gerenciamento Ambiental, no período de 5 a 7 de maio/99, em Viçosa – MG.

* Engenheira Florestal, doutoranda do Departamento de Engenharia Florestal da UFV. Coordenadora de Gestão Ambiental do Núcleo de Gestão Ambiental Integrada da UFV. Presta serviços de Consultoria, Treinamento e Certificação Ambiental.


 

 


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