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A FLORESTA ALÉM DAS ÁRVORES
Vilmar Berna*
Não é apenas o setor ambiental que vai mal de alto a baixo, mas o próprio Estado vive uma crise geral de credibilidade em sua capacidade de representar o cidadão e isso explica parte da crise do setor ambiental. O Poder cada vez mais afasta-se da clássica representação do povo, para o povo e pelo povo para negociar entre os mesmos grupos de poderosos para ver quem fica com que pedaço do poder. O povo parece mais como aquele marisco entre o mar (os interesses econômicos dos grupos privados) e o rochedo (os interesses dos governantes e políticos), e não é de se estranhar que troquem votos por camiseta e sacos de cimento agora, por que a prática tem demonstrado que, depois de eleitos, os políticos vão abandoná-lo mesmo, sob os mais variados argumentos como ‘faltou verba’, ‘não tive maioria para aprovar o que prometi’, etc.
Na área ambiental, a prática é: cria-se o fato consumado, depois trata-se de legalizar com um jeitinho qualquer. Para os donos do capital, isso pode se traduzir em influência política e econômica, para a parcela mais pobre da população, isso se traduz em criar um fato social, invadindo áreas não-edificantes por exemplo, por que aí não ofende o direito de propriedade do capital e nenhum político interessado em votos terá coragem de se desgastar mandando tratores e a polícia para desalojar comunidades de baixa renda de áreas de florestas, margens de rios e lagoas, manguezais, etc. O irônico é que esta situação não só premia os infratores e espertinhos, mas pune com a ineficiência do setor ambiental os cidadãos e as empresas que tentam fazer a coisa certa, ao buscarem os caminhos normais da burocracia pública a fim de licenciarem suas atividades.
Ao se pensar numa reforma do setor ambiental é preciso olhar do ângulo da floresta, vendo o Estado, a iniciativa privada e a sociedade como um todo. Não basta colocar lente de aumento sobre a temática ambiental, como se o problema fosse só neste setor, como se o meio ambiente fosse um tema vertical que merecesse ser compartimentalizado num gueto verde dentro de uma administração que parece mais preocupada com a questão ambiental apenas em períodos de campanha eleitoral.
Sugiro que as diversas redes existentes hoje na Internet entrem no debate e num segundo momento, merece um seminário público, com grupos de trabalho em cada setor, a fim de traçar além de um diagnóstico o mais próximo da realidade, apontar as soluções, as ferramentas, as fontes de recurso que permita sair da crise dentro de uma nova filosofia de ecologização da área ambiental, implantação da Agenda 21 e do desenvolvimento sustentável.
O Jornal do Meio Ambiente está buscando fazer a sua parte, contribuindo para a democratização deste debate, e se oferece, desde já, para agregar outras instituições interessadas em viabilizar um seminário sobre o tema que envolva não só os ambientalistas, mas também os empresários, as lideranças comunitárias, os políticos, os governantes, os especialistas, entre outros interessados, a fim de não continuarmos falando para o próprio umbigo.
Vilmar Berna
Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente
Editor do Jornal do Meio Ambiente
Presidente do IBVA - Inst. Bras. de Voluntários Ambientais
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