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Sugestões para o desenvolvimento do ecoturismo no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro e seu entorno.
Cássio Alessandro Teixeira Lopes
Segundo a nova visão sobre a elaboração de Planos de Manejos para unidades de conservação, o desenvolvimento sustentável da região deve estar contemplado, principalmente quanto à inserção das populações do entorno no contexto destes planos. Já que o ecoturismo pode ser considerado uma atividade geradora de renda para tais comunidades, e segundo BOO (BOO, 1999), deve haver um equilíbrio entre os interesses diversos, tais como a conservação dos recursos naturais, a promoção do desenvolvimento sustentável nas comunidades locais, a melhoria da balança comercial e o enriquecimento da experiência dos turistas.
Em relação ao desenvolvimento do ecoturismo no PESB, é conveniente que o Plano de Manejo adote uma estratégia que venha criar e fortalecer vínculos com as diversas comunidades existentes no seu entorno, ao mesmo tempo em que promova a conservação do bioma Mata Atlântica e a sensibilização dos visitantes para a conservação ambiental de forma criativa e envolvente. Pensando nisto, iniciamos recentemente um projeto em dois municípios do entorno do PESB, após aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente no edital PDA Mata Atlântica. O objetivo é promover uma rede cooperativa entre os atores sociais das comunidades de Fervedouro e Pedra Bonita para a conservação da Mata Atlântica e para o desenvolvimento sustentável, a partir da participação social, educação ambiental e aproveitamento dos recursos naturais para o ecoturismo. Acreditamos que, com sensibilização e capacitação adequadas, poderemos desenvolver as potencialidades locais e promover o desenvolvimento sustentável nestes dois municípios.
Pelo formato físico do PESB e disposição dos atrativos naturais, o trekking, na forma de travessia de um ponto a outro, é a atividade que poderá trazer maior benefício bem como melhor experiência aos turistas, podendo vir a constituir o principal roteiro do parque. Além de ser pouco impactante ao ambiente se realizado de forma adequada, pode ser facilmente aliado à educação ambiental e possibilita a inclusão da população do entorno no processo de desenvolvimento, trazendo inúmeras vantagens. No Parque Nacional da Serra dos Órgãos, a famosa travessia Petrópolis a Teresópolis é um caso de sucesso, sendo reconhecida como a maior aventura deste tipo no Brasil, com um trajeto de 45 quilômetros de extensão. No contexto do PESB, o percurso utilizaria a Zona de Uso Extensivo e a Zona de Uso Intensivo demarcadas em seu pré-zoneamento, acompanhando seu eixo longitudinal, com pequenas modificações por caminhos já existentes. Assim, os pontos centrais de interesse seriam: Pedra Bonita, Fazenda do Brigadeiro, Pico do Soares, Pico do Boné e Sede do PESB. As vantagens são: a inclusão da mão-de-obra local, devidamente capacitada, atuando como agenciadores das expedições, guias, no apoio, limpeza das trilhas e até mesmo em resgate e brigadas voluntárias para combate a incêndios florestais; redução de pressões ao parque e conservação da Zona Primitiva, pela conscientização ambiental; posicionamento estratégico das comunidades em relação aos atrativos naturais, facilitando o acesso à trilha principal; valorização da cultura e da história local; enriquecimento da experiência dos turistas nos centros de pesquisa; geração de receita e consolidação de uma imagem pública positiva. Ao roteiro principal podem ser agregadas outras atividades de lazer e aventura: visita a atrativos naturais, turismo histórico e rural, cicloturismo, trilha interpretativa, arvorismo, tirolesa, cascade e escalada em rocha.
Sendo assim, a inclusão da população local no desenvolvimento do ecoturismo só traria vantagens, facilitando o enraizamento das ações e favorecendo a continuidade do processo em longo prazo.
Cássio Alessandro Teixeira Lopes – cassiolopes@redeambiente.org.br
Administrador e Consultor Técnico da ONG/OSCIP Ambiente Brasil Centro de Estudos
Instrutor de Esportes de Aventura no Espaço de Vivência Ambiental
Referência Bibliográfica:
BOO, E. O planejamento ecoturístico para áreas protegidas. In: LINDBERG, K.; HAWKINS, D. E. (Ed.). Ecoturismo: um guia para planejamento e gestão. 2 ed. São Paulo: SENAC, 1999.
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